Ausente na presença… Ou presente na ausência?

Hoje é dia de Bases Cognitivas no Dicas Miúdas e Alena trouxe um tema que com certeza passou, passa ou passará pela cabeça das mães… Ficar em casa cuidando e dando mais atenção aos filhos, diminuir o ritmo de trabalho ou continuar trabalhando? O que fazer com a vida profissional e com a culpa após o nascimento dos filhos??? Eu mesma passei por esta fase, reduzi muuuuuito meus trabalhos, passei a trabalhar mais em casa e a me dedicar ao blog, para desta forma esta mais perto. Não é fácil! Já passei por diversas situações e posso dizer com certeza, nenhuma das opções que você tomar será fácil…

 

Com minha primeira filha eu trabalhava fora e longe de casa, fiquei alguns períodos trabalhando apenas meio expediente, depois ficava os dois horários. Depois saí do meu trabalho e passei a trabalhar mais em casa, como sou autônoma facilitava um pouco, não ter que ficar me deslocando no trânsito maluco… E quando fiquei grávida pela segunda vez, eu já estava com o blog então terminei me afastando ainda mais da minha profissão, para poder ter tempo para me dedicar mais às minhas filhas, até por que agora são duas… É uma delícia poder estar tão presente na rotina delas, mas como nem tudo são flores, é bem cansativo. E vez por outra eu me pego pensando se a minha escolha foi acertada, se devo permanecer assim ou retomar o meu trabalho, E quando elas crescerem e não precisarem mais de mim… Ô vida difícil que nos enche de dúvidas!!! Mas vamos ao texto de Alena que está MARAVILHOSO!

 

 

É natural que muitas mudanças ocorram entre as gerações. Mas a mulher, a cada uma delas, assumiu mais papéis e responsabilidades; com isso precisou aprender a lidar com mais dilemas e desafios. Parece, entretanto, que há uma companheira permanente da mulher no exercício da maternidade: a danada da Culpa! O sentimento de culpa em torno dos nossos papeis faz a gente pensar que poderíamos ter feito mais pelos nossos filhos, ter pensado ou reagido de um jeito diferente em determinada situação, ter decidido algo de uma forma oposta… Enfim, a culpa está sempre lá, nos atormentando com o famoso “Mas e se…?”

 

Em função da inserção das mulheres no mercado de trabalho, vejo que a modernidade trouxe às mães um sentimento de culpa por uma suposta “ausência” delas em casa. Surge daí algumas polêmicas. Na verdade, por vezes, quase um embate acerca da decisão de trabalhar fora ou permanecer em casa, cuidando dos filhos.

 

Optar por ficar em casa nem sempre implica em estar disponível para o filho. Afinal, surgem outras demandas. Quem é dona de casa bem sabe o tempo que se leva passando, cozinhando, limpando, etc e tal. Estar em casa, imersa nas atividades do dia a dia, e sentir-se impedida de sentar no chão com o filho e brincar com ele, é estar presente fisicamente, mas ausente de algumas necessidades dele.  Por outro lado, passar o dia fora de casa, trabalhando, mas reservar um tempo para checar e organizar a rotina do filho com um telefonema para ele, acompanhar a tarefa de casa ao fim do dia e contar uma história antes de dormir, é uma forma de estar presente, mesmo ausente fisicamente durante o dia.

 

Essa reflexão deve nos fazer entender que a tomada de decisão vai além do dilema “trabalhar fora ou ficar em casa”.  Na verdade, a verdadeira decisão é: estar presente (ou não) na vida dos filhos! Existem muitos (muitos, muitos…) filhos que sofrem a ausência das suas mães, e isto, nem sempre tem relação com a decisão dela de trabalhar fora. Convido você a refletir comigo sobre a seguinte questão: Você tem sido “ausente na presença”? Ou tem conseguido ser “presente, mesmo na ausência”?

 

Tornar o olhar para os filhos é essencial. Não adianta deitar na cama com ele, bem abraçadinho… Enquanto você não tira os olhos do celular, checando as últimas atualizações da rede social. Pouca serventia tem, sentar no chão com sua criança pra brincar com os bonecos ou de casinha, se seus ouvidos estiverem atentos ao desenrolar da trama global da novela das 8h, e não às expressões do seu filho. Fazer isso é ser ausente na presença. É dizer, de uma outra forma, que há certa “desvalia” na relação; o que se torna doloroso para criança lidar.

 

Opte por estar presente, mesmo que ausência física, por vezes, seja inevitável. Por outro lado, evite também esconder-se por trás da bandeira do lema: “Qualidade, é mais importante que quantidade”. Não! Nem sempre isso é verdade! A presença física é importante, sim! É impossível oferecer qualidade plena, se não há tempo suficiente para investir nela. Criança precisa de toque, de respostas, de continuidade da sua fala!

 

Educar nossos filhos exige redirecionamento do nosso olhar, da nossa escuta, das nossas preconcepções e do nosso tempo.  Nem sempre daremos conta de tudo isso… É verdade. Então, ponto final. Sem culpas. Só se faz o que pode. Não adianta nos bancarmos de mulher maravilha…  A maternidade, infelizmente, não nos tirou os limites da condição humana. Somos falíveis. Temos apenas dois braços. E nosso dia, só tem 24 horas.

 

Mas sejamos prudentes e sábias. O tempo não volta. Que possamos aproveitar a gargalhada dobrada dos nossos bebês, o sorriso largo e sem dentes dos nossos filhos depois de uma daquelas trelas inesquecíveis, e a conversa sem rumo sobre qualquer assunto bobo que surja!

 

Portanto, tenha você optado por ficar em casa ou voltar ao mercado de trabalho… Reserve um tempo com seu filho e Carpe Diem! Esteja!  E INTEIRA!

 

 

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  1. Eu gostei muito das reflexões realizadas nesse texto, eu mesma me policio muito, pois como estou em casa para cuidar do meu filho, tem horas que acabo no celular pra ver, ouvir e pensar em outra coisa também, mas ao estar com ele procuro estar com ele, sempre. A minha questão em relação a volta do trabalho, alem da carga horaria massacrante (tanto pra mão como pro pai), é o momento que essa volta acontece. Se pudéssemos voltar apenas quando nossos filhos compreendem que a mamãe e o papai saíram, quando eles já conseguem nos representar simbolicamente, seria muito fácil para os dois, pois se não fosse cedo, poucas mães sofreriam tanto com a separação, mas se a grande maioria sofre, tem algo errado nessa organização do trabalho, do tempo social do trabalho. Porque a criança sofre com a separação precoce e a ausência prolongada, e a mae sofre porque sente que é cedo para deixar seu filho, fora que impossibilita ate a amamentação até os seis meses, né?! Essa discussão sobre o trabalho e a maternidade deveria ser debatido de maneira mais ampla, porque a nossa inserção no mercado e a igualdade de gênero, não deveria acontecer nos privando de escolher aquilo que nosso corpo nos permite, que é a maternidade, mas ser apoiada e respeitada nas diferenças de gênero, que nos permita sermos mães, sem culpa. A culpa materna é um sintoma muito mais forte na atualidade, em que a pressão social sobre a mulher produtiva é maior.