E quando seu maior crítico mora dentro de você?

 

Talvez uma das épocas da vida em que nos sentimos mais criticados é quando nos tornamos pais e mães. Mesmo os conselhos bem intencionados (e quero crer que a grande maioria é) podem ter como efeito a nossa insegurança.  Com um pouco de esforço e prática podemos aprender a filtrar esses conselhos, e também a não nos abalarmos tão fortemente quando, em vez de conselhos, recebemos críticas de outras pessoas. Porém, uma situação um pouco mais difícil de lidar é quando essas críticas surgem de nós mesmos, quando achamos que não estamos sendo bons pais. E agora?

 

Esse sentimento é normal e pode surgir a qualquer momento. Educar uma criança, mantê-la segura e feliz, e atender às suas necessidades, é uma grande responsabilidade, cansativa e que consume um tempo enorme. Não preciso dizer a você o quanto esse trabalho exige atenção e energia intensas todos os dias, todas as horas (por mais delicioso que seja curtir os filhos). O cansaço bate e é normal, e ele costuma vir acompanhado de dúvidas sobre a própria capacidade de dar conta das coisas da vida (a sua própria e a dos seus pequenos).

 

Por isso, na próxima vez que se sentir um mau pai/ uma má mãe, cheque os fatos. Pode ser “só” o seu cansaço se transformando em exaustão. Pare, respire, descanse se for possível, e aí pense nos fatos: será que ter deixado seus filhos almoçarem biscoito e sorvete no dia de hoje desmerece todas as refeições saudáveis que você se esforçou em preparar o ano todo? Ou que o fato de você não conseguir acompanhá-lo nas tarefas de casa ou buscá-lo pessoalmente na escola desmerece os momentos que dedica a ele todos os dias? O momento em que você se impacientou com ele hoje apaga a sua paciência de todos os dias?

 

Se tiver dificuldade em fazer esse exercício de checagem de fatos, tente se distanciar um pouquinho da situação para avaliá-la melhor. Minha sugestão é que você imagine que é uma amiga que vem lhe contar a situação que você está vivendo. O que você pensaria se fosse com sua melhor amiga? Você a culparia mais ainda ou seria capaz de enxergar, e principalmente, VALORIZAR os momentos em que ela é uma mãe maravilhosa?


Se ainda assim for difícil, converse com quem te entende. Desabafar é preciso. Um bônus é que você vai descobrir que as suas inseguranças não só suas, mas são partilhadas e sofridas por todas as boas mães e bons pais.

 

Observe que quem é muito bom no que faz está sempre se questionando. Isso é verdade em todas as áreas de atuação! O próprio compromisso em fazer bem alguma coisa gera inquietações. O contrário também pode ser dito: se algo não é importante, não vai causar ansiedade, e nem merece que se pense sobre isso. Por isso, os seus questionamentos sobre seu desempenho apenas revelam que o que você faz é importante para você. Quem nunca se questiona é porque não liga, ou talvez fuja tanto de reflexões que corre o risco de se tornar arrogante. Em todo caso, são as inquietações e questionamentos que nos fazem crescer, buscar alternativas, melhorar. E isso é muito bom!

 

Portanto, esteja atento à sua forma de pensar. Se você perceber que realmente as coisas poderiam ser melhores, em vez de escolher se culpar e sofrer por isso, escolha dar passos concretos em direção a uma realidade mais satisfatória. E se estiver difícil colocar essas mudanças em prática, consulte um psicólogo. Ele poderá trabalhar com você na construção de novos caminhos.

 

Seja como for, trabalhe suas inseguranças. Não as ignore. Ignorar é alimentá-las, deixá-las livres para crescer e em algum momento elas podem paralisar você.

 

E se nesse momento você precisa de encorajamento, que tal reler aquelas cartinhas que seus filhos te deram no dia das mães, aquelas em que eles dizem o quanto te amam e o quanto você é especial? Pra eles, você é a melhor mãe do mundo.

 

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